O transplante de córnea é um procedimento cirúrgico destinado a restaurar a visão em pacientes que sofrem de doenças ou lesões corneanas. Para uma compreensão abrangente das diversas técnicas de transplante, é fundamental conhecer a estrutura da córnea. Esta é composta por cinco camadas principais:
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o epitélio: camada mais externa, protege contra infecções e lesões; sua transparência é fundamental para permitir a passagem da luz em direção ao interior do olho;
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a camada de Bowman: fina camada de tecido da córnea que atua como uma barreira protetora secundária contra lesões e infecções;
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o estroma: camada intermediária e mais espessa da córnea, composta por fibras de colágeno organizadas, que conferem suporte e forma à córnea;
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a membrana de Descemet: camada fina e resistente que funciona como barreira protetora, além de fornecer suporte estrutural e facilitar a regeneração do endotélio corneano;
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e o endotélio: camada interna crucial para manter a hidratação e transparência corneanas.
Existem diversas técnicas de transplante de córnea, cada uma adaptada para diferentes condições clínicas. O transplante lamelar anterior, por exemplo, substitui as camadas anteriores da córnea, preservando o endotélio do paciente. A técnica DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty, ou Ceratoplastia Lamelar Anterior Profunda) é frequentemente empregada no tratamento do ceratocone, enquanto a técnica FALK (Femtosecond-Assisted Lamellar Keratoplasty), que utiliza o laser de femtosegundo para realizar cortes superficiais, é indicada para distrofias anteriores leves.
O transplante penetrante, por sua vez, substitui todas as camadas da córnea. No entanto, devido aos riscos de complicações, como hemorragia expulsiva e alto astigmatismo pós-operatório, essa técnica é geralmente evitada. Já o transplante lamelar posterior substitui apenas a camada endotelial da córnea, sendo indicado para pacientes com doenças como a Distrofia de Fuchs e a ceratopatia bolhosa. Este procedimento oferece uma recuperação pós-operatória mais rápida e menor incidência de astigmatismo pós-cirúrgico.
Após o transplante, é imprescindível seguir rigorosamente as orientações do cirurgião para assegurar uma recuperação bem-sucedida. O uso de pontos na córnea é comum, e sua remoção gradual é necessária para controlar o astigmatismo. A recuperação visual varia de acordo com a técnica utilizada, sendo o transplante lamelar posterior geralmente associado a uma recuperação mais rápida do que o transplante penetrante.
Em alguns casos, o transplante de córnea pode ser combinado com outros procedimentos, como cirurgia de catarata, glaucoma ou implante de lente intraocular.
Em conclusão, o transplante de córnea é considerado uma opção de último recurso, empregada quando outras modalidades de tratamento se mostram ineficazes. A decisão de realizar o procedimento deve ser tomada em conjunto com um oftalmologista, que avaliará minuciosamente a condição do paciente e determinará a técnica mais adequada para cada caso.
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Sobre a autora:
Olá, meu nome é Patrícia Zacharias Serapicos, médica oftalmologista da clínica CCOJardins em São Paulo, especialista em doenças da córnea, cirurgia refrativa, plástica ocular e cirurgia de catarata.
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